O próprio Arnaldo Antunes, Las Chicas e Marisa Monte interpretando “Volte para o seu lar”.

Aninha

Aninha

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Neusa e Lorenzo

Neusa e Lorenzo

Neusa, Robertinho e Lorenzo

Neusa, Robertinho e Lorenzo

Créditos das fotos para Felipe Barros.

Com a vida tão confusa e acelerada, são raras as oportunidades em que podemos freiar a loucura e dizer que é possível agir a favor de um mundo melhor, construído com momentos de felicidade real e compartilhada.
A harmonia que ressoa em nossas tardes de domingo não está ao alcance das notas musicais, mas afina nosso potencial de superação em sintonia com a arte, a amizade e a alegria.
Ao multiplicar nossas vozes nos fortalecemos na luta por dias mais ensolarados. O espetáculo(o fazer) é preferível à espectativa(a possibilidade).
Os bastidores são a oficina do riso e do prazer que nos capacita cantar e deixar NA BOCA DO POVO um gostinho de mundo melhor.
Andréa – alguém com uma história pra cantar.

Lorenzo Falcão declamando "O lutador" de Carlos Drummond de Andrade

Lorenzo Falcão declamando o poema “O lutador” de Carlos Drummond de Andrade.

ESPANTAR OS MALES

Por Lorenzo Falcão* – Texto publicado no Diário de Cuiabá, em abril.

Algumas coisas que a gente ouve dizer ao longo da vida são para acreditar mesmo. São pra valer. Frases de efeito e ditados populares, quando temos a oportunidade de vivenciar experiências práticas em torno deles, são como presentes, momentos sublimes em nossas vidas.

“Quem canta, seus males espanta” é uma frase verdadeira. Acho que de domínio público. “No futuro todo mundo vai ter quinze minutos de fama”. O futuro já chegou e o autor dessa máxima, Andy Warhol, tinha razão. Pois bem: no último sábado (28/04), espantei meus males e fui famoso rapidinho. Subi num palco e cantei.

Aconteceu lá no bairro Alvorada, num evento programado pelo Circuito Pixaim, brilhante iniciativa que envolve a Cufa/Cuiabá (Central Única das Favelas) e outras instituições e apoiadores. Como faço parte do grupo lítero-musical “Na Boca do Povo”, do Sindicato dos Jornalistas/MT, lá estava eu. Nervoso nos momentos que antecedem a apresentação – é porque se não tiver aquele friozinho na barriga, não tem graça – e felicíssimo quando terminamos a cantoria.

Tempos atrás, aqui mesmo neste espaço, registrei que minha atividade mais prazerosa nos últimos meses é cantar nesse coral. Coral, ou grupo lítero-musical. E é verdade. É algo produtivo, cultural, coletivo e divertido.

Os ensaios são sempre aos domingos, das 16 às 18 horas. Tive que abrir mão do futebol ao vivo pela televisão. E fiz uma ótima troca. Deixei o sofá da sala lá de casa, pra ir soltar a voz com um seleto grupo de pessoas.

Daqui a pouco acaba meu espaço aqui e ainda nem disse que me emocionei bastante na apresentação de sábado. Cantamos numa quadra esportiva aberta onde acontecia o evento que mencionei, cuja natureza era bastante dispersiva, descontraída. Gente andando pra lá e pra cá, conversando sem parar. E cantamos logo após uma dupla sertaneja lá do bairro Alvorada mesmo.

Quem tem experiência com palcos sabe que em tais lugares (palcos da vida), de uma forma ou de outra, é preciso conquistar o público. Não sei o que as pessoas que estava andando por ali acharam de nossa performance. Mas, bem na frente do palco, pertinho da gente, super atentos e devorando-nos com olhos e ouvidos, um grupo de quinze crianças, aproximadamente, correspondeu de forma incrível.

A reação singela dessa gente miúda já me bastou. E é pra essa galerinha que dedico estas palavras verdadeiras, que precisei escrever já no sábado mesmo, logo após a apresentação. Valeu mesmo. Valeu demais!!!

*LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Jornal Diário de Cuiabá

RESISTIR

Por Keka Werneck

Quando quiseram me trancafiar exata

Fazer de mim uma santa mascarada

quando a idade média quis em mim morada

 e muros espinhosos ergueram-se contra qualquer escalada

 quando a noite escura secou minha boca molhada

 e a tempestade deixou de ser vertigem louca

 e a madrugada passou a ser hora acordada

 de pensar em planos de fuga desesperada

 quando a natureza morta era eu na sala

 sobre a mesa igual às maçãs do pintor francês impressionista Paul Cézanne…

esperando que alguém me devore,

quando enfim o monstro do pântano enlameado

 veio para levar minha alma,

eu disse: “Não vou”

e a reação dos infernos foi a de tentar arrancá-la de mim

e daí eu disse: “Não dou!”

Esse vídeo é fanástico, todo mundo pre-ci-sa assistir!!!

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Por Dafne Spolti

“Algum dia eu ainda irei compor uma música que explique o que é fazer amor com 25.000 pessoas durante um show e depois voltar sozinha pra casa” (Janis Lyn Joplin)

Não podia deixar de falar da querida Janis Joplin. E nem sei por que a chamo de querida, sendo ela tão encrenqueira e muitas vezes chata como era. Acho que é porque mesmo assim ela era uma pessoa amável.

Boa parte de quem me conhece sabe que eu gosto da Janis. Adoro e queria que todos gostassem, mas ao mesmo tempo, tenho um sentimento egoísta de querer guardá-la apenas pra mim. Impossível, claro.

Conheci a Janis em 2001. Eu tinha uns 13 anos e ela já tinha morrido há 31, com seus 27 anos de idade. Era uma tarde inútil da minha vida e comecei a procurar o que fazer. Aí tinha uma fita de VHS em casa. Eu sabia que já tinha assistido alguma vez, mas nem lembrava direito.

Fiquei em dúvida entre os “Doors” e a Janis. Escolhi a Janis.. E aí foi um negócio de doido! Eu estava sozinha em casa e vibrei. Ela não cantava. ELA VIVIA AQUILO QUE ESTAVA CANTANDO! ERA TODA CORES, TODA SOM…

Nesse período “mais Janis” da minha vida eu passava, então, todas as tardes assistindo o filme. Dava pra ver umas duas vezes até a família chegar em casa e aí acontecer toda aquela história de cachorro pulando, de tirar um monte de coisas do carro etc. Mas gente, lógico que eu não ficava parada na frente da TV. Eu dançava que nem doida, tentava fazer os mesmos movimentos que ela, até que comecei a interpretar “Summertime” para a família. Eles adoravam e eu ficava me sentindo a própria Janis Joplin. Ah, e eu também comecei a me encher de bugigangas para ficar parecida com ela, e ainda fazia desenhos. Pausava o filme e botava o lápis pra correr no caderno de desenho.

Aí a gente colocou internet em casa. Baixei mais ou menos umas 600 fotos. Eu ficava relacionando as pessoas das fotografias com as citações que a Myra Friedman fazia na biografia da Janis “Enterrada Viva”. Um dia o computador foi formatado e eu perdi tudo.

Depois disso eu tinha vontade de fazer pesquisas sobre a Janis Joplin, de ir pro Texas conhecer a cidade onde ela nasceu etc etc… Aí essa fase foi substituída pelas reflexões do tipo: “Por que será que eu gosto tanto da Janis?”.

Tinha muito artista bom por aí que também podia ter todo o meu amor. Mas com a Janis era diferente… musicalmente maravilhosa, mas não era só isso. Aí comecei a entender. A Janis Joplin era uma das pessoas mais humanas que conheci. E ainda por cima não escondia isso. Ela é cheia de defeitos, cheia de neuroses e grilos na cabeça, reflexiva e sensível ao extremo. E é por essas pessoas que me encanto. A Janis não é uma cantora dos anos 70. É um ser humano que sofria, importunava as pessoas, que era extremamente inconstante, que isso e aquilo…. e tudo e tal….

 Observem: Não consegui definir se falava no passado ou no presente. Pode?

 Texto publicado dia 19/02/2009 em http://parafernaliamt.blogspot.com

 

O Coral Na Boca do PovoCoral visita bairro Alvorada no Projeto Circuito Pixaim esteve presente no lançamento do Projeto Circuito Pixaim, promovido no dia 18 de abril pela Central Única das Favelas, no bairro Alvorada.

Além das músicas Exagerado, Freedom e Água de Beber, teve recital de poesia com Lorenzo Falcão.

Uma experiência única para quem foi ver e para o coral também. A idéia, ao convidar o coral, foi justamente esta: mostrar à população um tipo de canto ao qual ela talvez nunca tenha tido acesso, revelando a alegria e a descontração de um coro divertido, diferente do conceito de coro que se vê no senso comum. Valeu a pena, acho que o recado foi dado … Super foi! (como diria a Dafne! rs)

 

 

 

Meninas do coral se aprontando para apresentação

 

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